Prometeu Artesanato

A loja fica na Rua Mouzinho da Silveira, nº 125. É uma loja de artesanato e chama-se Prometeu Artesanato.

A loja antes não sei o que era, mas o que dizia na fachada era: «Fala barato». Estava em mau estado o prédio todo. Sei que arranjaram o prédio, a fachada está nova agora.

Eu arranjei a loja e adaptei, foi uma pequena arranjadela.

Prometeu é um deus grego

Prometeu é um deus grego e eu uma vez estava a ler um ensaio do Almada Negreiros sobre ele e achei mesmo uma piada louca à historinha e à interpretação do Almada Negreiros, então ficou o nome. Prometeu foi o primeiro homem que roubou o segredo do fogo aos deuses. Do fogo e doutras coisas. No fundo, foi o primeiro ser pensante, que pensou por ele e que disse que a capacidade do mundo evoluir está nas nossas mãos e não nas mãos dos deuses. Nós que somos donos de nós próprios. No fundo, é a filosofia do Prometeu: nós é que podemos fazer.

Prometeu Artesanato, porque artesanato também é como arte, do nada fazer qualquer coisa. Achei que tinha a ver, mas foi porque gostei mesmo desse ensaio.

Fazer uma loja é como fazer um quadro, um boneco ou uma peça

Eu todos os anos altero a loja. É como fazer uma peça, é criar. Está assim e não gosto assim, ou já estou cheio de olhar para ela, tenho que pô-la doutra maneira. Depois é o processo construtivo. É como fazer um quadro. Fazer uma loja no fundo é a mesma coisa que fazer um quadro ou fazer um boneco.

Começamos a construir o chão, as paredes, o tecto, depois as estantes e depois as peças. Aquela loja parecia um stand de automóveis quando a aluguei. Depois sentei-me a olhar para aquilo e lá tive a ideia de fazer as flores para pôr no tecto, até conseguir que ficasse uma loja interessante. Não sei se vai estar muito tempo assim, mas algum tempo vai.

“Vou fazer uma loja virtual”

Vou transformar as minhas lojas, as lojas que eu tiver nessa altura. Já estou a fazer, a tratar de tudo, mas é um bocado complicado. Vou fazer uma loja virtual, ou seja, vou pôr câmaras na loja. Vou dizer às pessoas todas que entrarem na loja estão a ser filmadas e vou ter disponível na internet as câmaras todas. Portanto, quem estiver num país qualquer e quiser comprar um prato destes. Vê o prato e pode interagir com a empregada. Dizer-lhe:

- “Olha, mostra-me mais perto.”

Ou:

- “Vira-o ao contrário para ver como é por trás.”

Vou criar no fundo uma loja virtual, em que só vou contar com os clientes que vou cativar aqui. Não vou andar à procura que andem à procura da minha loja. Ou seja, vem aqui um cliente, compra um prato e leva o e-mail da loja lá na etiqueta. Chega ao seu país e mostra a um amigo:

- “Ai, gostei disto. Gostava de comprar.”

- “Olha, pega lá o e-mail.”

Tem que ser quase como a garantia que vão ser bem servidos como se tivessem aqui. Se gostaram do serviço aqui, portanto, vou tentar servi-los igual lá no sítio deles. Ou seja, tentar o melhor preço de transporte, embrulhar bem o produto para chegar lá em condições, informar o risco que tem de partir.

Conforme as peças, porque há peças que têm muito risco, outras não tem nenhum. Portanto, ele vai receber a peça lá em casa, pagou-a logo ao fazer a encomenda, tem que confiar na loja. É isso o meu projecto. Vou tornar as três lojas e vou pôr depois uma pessoa só a funcionar com isso, a tratar de embalagem e envio de coisas que venda pela internet. Eu não percebo nada disto, detesto mesmo computadores, nem telemóvel gosto de usar nem uso. Mas sinto mesmo que é uma necessidade se eu quero dinamizar o meu negócio e se quero evoluir sem ter um investimento tão grande como o que costumo ter. Porque abrir uma loja é um investimento maior do que abrir uma loja virtual, que são as câmaras, os computadores e uma pessoa. Uma loja exige muito mais, porque tem de se pagar luz, água…. Isto pode funcionar numa parte das lojas, num anexo qualquer.

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