Leilão: 14 de Junho (terça feira) às 21:30h Mostrar/Ocultar

Exposição:
12 de Junho (domingo) das 15:00 às 19:30h e das 21:30 às 23:00h
13 de Junho (segunda feira) das 15:00 às 19:30 e das 21:30 às 23:00h
Local: Rua Mouzinho da Silveira 175/183 – Porto
Contactos: www.galeriasdavandoma.com
Pessoas

Mini Biografia

Maria Isabel Coimbra Luz nasceu numa freguesia de Viseu, em 1950.

Aos 9 anos vem estudar para o Porto “uma tia, minha madrinha que mora no Porto, trouxe-me e eu nunca mais de cá saí.” Tornou-se engenheira, mas “ia acompanhando o meu marido e o meu sogro nas deslocações que eles faziam no âmbito das avaliações e dos leilões” que as Galeria da Vandoma promoviam. Actualmente é o braço direito da filha Ana, gestora das Galerias.

Tem muito orgulho em pertencer a uma família ligada às antiguidades “creio que o avô do meu sogro já tinha sido avaliador do Reino, no tempo da monarquia.

Espera que a Rua Mouzinho da Silveira se torne “um pólo de atracção, tendo uma oferta consolidada em objectos de arte.”

O vício que entra pelo coração dentro

Estudei Engenharia e a minha primeira experiência profissional foi nessa área, logo no ano em que casei. Entrei numa família cuja actividade era as antiguidades. Tive o privilégio de conhecer o meu marido e pertencer a esta família que muita alegria me deu. Ao mesmo tempo que exercia a minha actividade ia acompanhando o meu marido e o meu sogro nas deslocações que eles faziam no âmbito das avaliações e dos leilões.

Nos leilões era eu que fazia a parte de facturação. Isto acaba por ser um pouco o bichinho que nos vai cada vez mais ligando a este sector de actividade.

É um sector cheio de reconhecimento que não se esgota numa sessão, num dia. Permanentemente aparecem coisas que nós desconhecíamos, que temos de pesquisar e que temos de aprofundar e isso dá-nos uma sede de saber.

Quando o meu marido partiu em 1999 e o meu sogro também, ficámos num impasse. O que é que íamos fazer? Mas era impossível não abraçar também este “vício” porque realmente é uma paixão. É outra forma de cultura, são coisas que nos entram pela casa dentro, pelos olhos dentro, pelo coração dentro. Passei a estar ligada de uma forma mais activa quando tivemos de tomar a decisão e, nas partilhas, ficámos com a casa. Era a grande paixão do meu marido e não me sentia muito bem se na altura não tivesse lutado por ficar com a casa.

Na loja estou mais para dar o meu apoio à Ana. Ela é que é verdadeiramente a alma desta casa. Dou-lhe o apoio necessário, mas efectivamente ela é que é o grande motor, ela é que toma as iniciativas, é que faz os contactos. Eu estou um pouco à retaguarda, mais a ajudá-la naquilo que ela necessita. Eu sou, digamos, a outsider. Eu faço as avaliações, colaboro com ela mas efectivamente ela é que é a líder nesta actividade.

Os conhecimentos neste sector e nas avaliações foram adquiridos por experiência, foi no terreno e depois naturalmente, aparecem coisas novas, os autores podem ser desconhecidos, então eu vou pesquisá-los. É esta parte que eu gosto nesta actividade, é a pesquisa. Quando eu saio da casa onde estou a fazer o serviço estou completamente esgotada. Mas é a parte que me dá mais interesse.

Venho sempre a “cantar o hino”. Não é uma actividade nada monótona, se fosse eu não gostaria. É exactamente ao contrário. Todos os dias há coisas novas. É desafiante. Não é lucrativo mas é desafiante.

Rua

Larga e fluída

Há 35 anos, quando abriu a loja, foi escolhida esta rua porque tinha um encanto próprio. Fluída, uma rua larga, se não a vierem estragar, é de circulação automóvel fácil, onde as pessoas estacionavam com facilidade. Eu diria que tinha um clima especial. E ele encontrou a rua e a casa também. Hoje já não é assim.

É muito complicado. Por exemplo, nós temos aqui um lugar para estacionarmos e fundamentalmente, porque temos cargas e descargas e temos um local de estacionamento público, público que é como quem diz, é pago e não é brincadeira nenhuma o preço do lugar.

Se pudesse, mudava a loja para outra rua mas por um lado gosto de estar aqui e as pessoas associam as Galerias da Vandoma a esta rua e a este local. Até fora do Porto, em vários locais do país, falo nas Galerias da Vandoma e as pessoas situam imediatamente onde ela está. Isso é uma mais valia naturalmente mas, atendendo às dificuldades de mobilidade daqui da zona, possivelmente eu era capaz de a transferir para outro local, para a Boavista, por exemplo. Deixava de estar no fluxo turístico mas estava mais no fluxo dos portuenses.

Áudios

Lugar

Segurança

O que mais mudou no Porto em relação ao passado é acima de tudo a segurança. Em termos de edificado, acho que esta zona está praticamente na mesma. Eu recordo-me que era capaz de estar a estudar com colegas até tarde no café, que na altura fazíamos muito isso, e ia para casa à meia-noite a pé e hoje acho que seria impensável, pelo menos não me sentiria com a segurança que eu tinha na época.

Outro aspecto que também é importante era que toda esta zona do centro do Porto tinha uma actividade comercial grande. Todo e qualquer estabelecimento sobrevivia muito bem. Os comerciantes não eram propriamente pessoas que estivessem numa situação menos bem. Hoje não. Os centros comerciais arrumaram completamente com o centro das cidades. Faz pena, por exemplo, descer a 31 de Janeiro ou a Rua de Santo António, como também é designada, e ver tudo aquilo entaipado a dizer “Passa-se”. Esta rua é a mesma coisa.

Havia um movimento próprio que encantava. Hoje é preciso ser-se muito teimoso para nos mantermos no centro da cidade. Eu sou suspeita porque eu não sou nada adepta dos centros comerciais porque sempre que eu vou lá para comprar alguma coisa diferente nunca encontro nada. É tudo igual. Não há diferenciação.

Na nossa área, os centros comerciais não nos diminuiem a actividade mas quem se desloca quando falamos em comércio, há um efeito catalisador, uma pessoa pode ir procurar um artigo numa loja tradicional, de vestuário ou de alimentação, mas quando passa por outro tipo de negócio pode, enfim, ter a curiosidade de ver o que é que existe e entrar e acabar por se seduzir por alguma peça.

Estacionamento

Penso que agora também estamos a entrar numa utopia, no meu ponto de vista, de querer só ruas sem trânsito. As pessoas não estão dispostas, a não ser que precisem de alguma coisa de muita necessidade de vir para o centro da cidade e ter que andar a pé. Porque efectivamente o metro, que na minha opinião é dos melhores meios de transporte que existe, pelo menos urbano, não cobre a cidade.

O metro vai até à Rotunda da Boavista. Não vai até à Foz, por exemplo. Serve uma faixa estreita de população. E ir para um sítio onde não há estacionamento ou ele é caro é muito desmotivador.

Eu temo um bocado quando ouço dizer que a Rua Mouzinho da Silveira vai ficar só com uma faixa de circulação automóvel. Então, nessa altura acabou. Do ponto de vista ambiental se calhar até estou plenamente de acordo mas também não podemos ser tão extremistas que excluamos a parte económica. E realmente as pessoas não se deslocam para zonas, estamos a falar do comércio, onde não haja o mínimo de satisfação e de condições de mobilidade.

Falta de modernidade e diversidade

Também a falta de modernidade do próprio comércio é um factor de menos movimento do comércio tradicional. Modernidade em todos os aspectos, quer em instalações, quer a nível do atendimento. Penso que aí também devia haver uma grande formação, no atendimento às pessoas. E depois também não há muita diversidade, em que cada galeria teria o seu âmbito de trabalho, ao nível do comércio tradicional. Eu não quero parecer que sou racista ou sectária mas quando aqui foi inundado por lojas de chineses, perverteu muito do negócio.

Posso dizer que tudo o que era jarrões, china azul um produto chinês, as pessoas associam logo à loja dos chineses e não tem nada a ver uma coisa com a outra.

E não estou a dizer que eles não têm bons produtos, não estou a entrar aqui em qualquer tipo de divisão entre as pessoas. Agora também já têm vindo a fechar porque a crise também os atingiu, mas aqui na rua e na Rua das Flores era quase casa sim, casa sim. E era a tal repetição do produto. Quem quisesse ir comprar a uma casa tinha igual nas outras e isso até tem um efeito perverso.

Descaracterização

Também há a descaracterização da zona, é pena que ninguém pense como eu, porque esta rua devia ser transformada numa rua muito ligada à arte. Porque nesta rua faz-se o fluxo para a ribeira e passam aqui imensos turistas todos os dias. Se há turistas no Porto eles passam aqui seguramente. Passam e entram. E então ficam sempre um bocado admirados que aqui não haja outras galerias, que não haja outros antiquários que eles possam, enfim, viver um pouco a arte nesta zona. Naturalmente, que já há alguns pólos no Porto, há o pólo na Rua Miguel Bombarda, que actualmente tem a sua clientela própria, mas é diferente, aqui seria uma divulgação não só interna como externa do que nós temos. E tenho muita pena que, efectivamente, não haja outra atracção, a atracção passaria por haver aqui mais pessoas, mais comerciantes desta actividade ou outras ligadas à arte.

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